MPEs têm dificuldade de acesso a crédito, mas entraves podem estar na gestão

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Em maio do ano passado, a taxa básica de juros do Brasil caiu para 2%, seu menor patamar na história. Os sucessivos cortes na Selic ajudam a estimular a economia e baratear o acesso ao crédito. Com a taxa referencial mais baixa, os empréstimos, teoricamente, ficam mais baratos. Mesmo assim, há um grupo que continua com dificuldades para conseguir crédito: as micro e pequenas empresas.

 

 

Este é um público que já tem um histórico de reclamações contra o poder público e o bancos privados. Não é difícil encontrar empreendedores que se queixam de altas taxas de juros, burocracia e portas fechadas na hora de tentar pegar dinheiro emprestado.

 

 

Mesmo quando o governo lança linhas de crédito para ajudar esses empreendedores, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), uma parte do público-alvo se queixa de dificuldades no acesso ao dinheiro. Foi assim na nova rodada do Pronampe: enquanto o governo pretende atender até 325 mil empresas, o Sebrae estima que cerca de 5 milhões de MPEs se qualificam para pegar empréstimos de até R$ 150 mil.

 

 

“Empreendedores reclamam muito de juros abusivos, burocracia e documentos para comprovar fluxo de caixa. Muitas vezes eles não têm esses documentos, precisam pagar para obter e mesmo assim não sabem se terão o crédito aprovado”, explica Fabio Takara, CEO da Firgun, uma fintech social que ajuda microempreendedores a conseguir empréstimos.

 

 

Falta organização

 

Micro e pequenas empresas (MPEs) têm faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, são compostas por poucas pessoas e, muitas vezes, não têm o nível de organização que médias e grandes empresas alcançam. Com atenção dividida entre a gestão do negócio e os problemas do dia a dia da operação, a contabilidade pode ficar de lado.

 

 

O problema é que os bancos querem analisar a vida financeira dessas empresas para avaliar se vale a pena emprestar a elas. “Muitos empreendedores não têm contabilidade para apresentar, precisam contratar contadores e isso custa”, afirma Takara.

 

 

Outro entrave para obtenção do crédito é o momento que os empreendedores buscam o recurso, segundo Felipe Chiconato, consultor do Sebrae-SP. “Eles tendem a buscar crédito quando estão com muitas dificuldades financeiras, eventualmente negativados, operando com prejuízo, sem uma boa gestão”, afirma Chiconato.

 

 

Para ele, é normal que bancos privados estabeleçam altas taxas de juros e peçam garantias para o empréstimo como uma forma de proteger seu capital. “Concordo com taxas elevadas na maioria dos casos”, diz o consultor.

 

 

A falta de informação dos empreendedores sobre linhas de crédito mais vantajosas também pode atrapalhar as empresas que querem empréstimos vantajosos.

O Banco do Povo de São Paulo, por exemplo, tem linhas de crédito com juros a partir de 0,35% ao mês. Para quem precisa de capital de giro, o Sebrae tem uma parceria com a Caixa para facilitar o acesso de pequenos empreendedores ao financiamento pelo FAMPE (Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas).

 

 

Outras soluções

O setor privado também tem soluções que prometem estar ao alcance das MPEs. Para tentar acabar com as dores dos empresários que não conseguem empréstimos, Fabio Takara criou a Firgun, uma fintech social que nasceu para facilitar o acesso desse público ao crédito.

 

 

A Firgun foca em empreendedores que fazem parte de grupos minoritários: mulheres, negros e pessoas de baixa renda. A empresa criou uma plataforma que conecta investidores aos negócios que precisam de alavancagem. Os empreendedores apresentam seus projetos e qualquer pessoa pode investir a partir de R$ 25 no crédito para aquela empresa.

 

 

As taxas de juros são de, no máximo, 1% ao mês. Em alguns casos não há cobrança de juros. Segundo Takara, o custo efetivo total é, em média, 2,5 vezes menor que empréstimos feitos com bancos privados.

 

 

 

O ticket médio da fintech é de R$ 7,5 mil e os empreendedores costumam tomar empréstimo para comprar materiais e produtos – apenas 30% dos recursos podem ser usados no pagamento de dívidas. Comprando à vista, eles conseguem preços melhores. De dezembro de 2019 até hoje, a Firgun, que foi acelerada pela InovAtiva de Impacto, emprestou R$ 1,3 milhão.

 

 

 

Com os bancos fugindo do risco de emprestar para MPEs, empresas como a Cash to Flow, de antecipação de recebíveis, tiveram sua chance de crescer. “Tivemos um crescimento exponencial na movimentação enquanto bancos reduziram horário de atendimento e aumentaram a burocracia”, afirma Rodrigo Zamprogna, CEO da Cash to Flow.

 

 

 

 

Enquanto bancos privados se protegem de calotes e linhas públicas não chegam na ponta, empreendedores sentem falta de fôlego financeiro para sobreviver

 

Em maio do ano passado, a taxa básica de juros do Brasil caiu para 2%, seu menor patamar na história. Os sucessivos cortes na Selic ajudam a estimular a economia e baratear o acesso ao crédito. Com a taxa referencial mais baixa, os empréstimos, teoricamente, ficam mais baratos. Mesmo assim, há um grupo que continua com dificuldades para conseguir crédito: as micro e pequenas empresas.

Este é um público que já tem um histórico de reclamações contra o poder público e o bancos privados. Não é difícil encontrar empreendedores que se queixam de altas taxas de juros, burocracia e portas fechadas na hora de tentar pegar dinheiro emprestado.

 

 

Mesmo quando o governo lança linhas de crédito para ajudar esses empreendedores, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), uma parte do público-alvo se queixa de dificuldades no acesso ao dinheiro. Foi assim na nova rodada do Pronampe: enquanto o governo pretende atender até 325 mil empresas, o Sebrae estima que cerca de 5 milhões de MPEs se qualificam para pegar empréstimos de até R$ 150 mil.

 

 

“Empreendedores reclamam muito de juros abusivos, burocracia e documentos para comprovar fluxo de caixa. Muitas vezes eles não têm esses documentos, precisam pagar para obter e mesmo assim não sabem se terão o crédito aprovado”, explica Fabio Takara, CEO da Firgun, uma fintech social que ajuda microempreendedores a conseguir empréstimos.

Falta organização

 

Micro e pequenas empresas (MPEs) têm faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, são compostas por poucas pessoas e, muitas vezes, não têm o nível de organização que médias e grandes empresas alcançam. Com atenção dividida entre a gestão do negócio e os problemas do dia a dia da operação, a contabilidade pode ficar de lado.

 

 

O problema é que os bancos querem analisar a vida financeira dessas empresas para avaliar se vale a pena emprestar a elas. “Muitos empreendedores não têm contabilidade para apresentar, precisam contratar contadores e isso custa”, afirma Takara.

Outro entrave para obtenção do crédito é o momento que os empreendedores buscam o recurso, segundo Felipe Chiconato, consultor do Sebrae-SP. “Eles tendem a buscar crédito quando estão com muitas dificuldades financeiras, eventualmente negativados, operando com prejuízo, sem uma boa gestão”, afirma Chiconato.

 

 

 

Para ele, é normal que bancos privados estabeleçam altas taxas de juros e peçam garantias para o empréstimo como uma forma de proteger seu capital. “Concordo com taxas elevadas na maioria dos casos”, diz o consultor.

 

 

A falta de informação dos empreendedores sobre linhas de crédito mais vantajosas também pode atrapalhar as empresas que querem empréstimos vantajosos.

 

 

 

O Banco do Povo de São Paulo, por exemplo, tem linhas de crédito com juros a partir de 0,35% ao mês. Para quem precisa de capital de giro, o Sebrae tem uma parceria com a Caixa para facilitar o acesso de pequenos empreendedores ao financiamento pelo FAMPE (Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas).

 

Outras soluções

 

O setor privado também tem soluções que prometem estar ao alcance das MPEs. Para tentar acabar com as dores dos empresários que não conseguem empréstimos, Fabio Takara criou a Firgun, uma fintech social que nasceu para facilitar o acesso desse público ao crédito.

 

 

A Firgun foca em empreendedores que fazem parte de grupos minoritários: mulheres, negros e pessoas de baixa renda. A empresa criou uma plataforma que conecta investidores aos negócios que precisam de alavancagem. Os empreendedores apresentam seus projetos e qualquer pessoa pode investir a partir de R$ 25 no crédito para aquela empresa.

As taxas de juros são de, no máximo, 1% ao mês. Em alguns casos não há cobrança de juros. Segundo Takara, o custo efetivo total é, em média, 2,5 vezes menor que empréstimos feitos com bancos privados.

 

 

 

O ticket médio da fintech é de R$ 7,5 mil e os empreendedores costumam tomar empréstimo para comprar materiais e produtos – apenas 30% dos recursos podem ser usados no pagamento de dívidas. Comprando à vista, eles conseguem preços melhores. De dezembro de 2019 até hoje, a Firgun, que foi acelerada pela InovAtiva de Impacto, emprestou R$ 1,3 milhão.

 

 

Com os bancos fugindo do risco de emprestar para MPEs, empresas como a Cash to Flow, de antecipação de recebíveis, tiveram sua chance de crescer. “Tivemos um crescimento exponencial na movimentação enquanto bancos reduziram horário de atendimento e aumentaram a burocracia”, afirma Rodrigo Zamprogna, CEO da Cash to Flow.

Zamprogna garante que o produto da fintech é mais vantajoso que empréstimos e mais ágil: “a análise é feita em questão de 60 minutos com o processo automatizado”.

 

 

 

A solução funciona como uma alternativa aos empréstimos, mas deve ser usada com cautela, segundo Felipe Chiconato. “Quanto mais fácil o crédito, mais caro ele é, e a antecipação é a modalidade mais fácil que existe”, afirma o consultor do Sebrae-SP.

 

 

 

Para as empresas que atendem os micro e pequenos negócios, o risco não é um fator ignorado. Fabio Takara, porém, explica que a empresa faz processos diferentes dos bancos tradicionais para minimizar as perdas, com análise do comportamento de consumo do empreendedor e seu apetite a risco. “Bancos só olham números”, diz o CEO da Firgun.

 

 

 

O executivo conta que sua empresa tem conseguido controlar a taxa de inadimplência, que saltou para 12% no ano passado, quando medidas de isolamento social atrapalharam o desenvolvimento de vários negócios. Hoje, a taxa está em 8,5% da carteira ativa e ainda deve cair: “se em um momento de pandemia estamos com 8,5%, quando as coisas voltarem ao normal estaremos operando com uma taxa de inadimplência perto de 4%”.

 

 

 

 

Fonte: CNN Brasil

 

 

 

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