Investir em proteção de dados de clientes e parceiros pode impulsionar negócios

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Um levantamento realizado pela Cisco, empresa de tecnologia, mostra que a proteção da privacidade de clientes e parceiros agrega valor às organizações.

 

O levantamento verificou que 90% dos entrevistados globais demonstram grande preocupação com a privacidade para o negócio. No Brasil, esse número é ainda maior, de 94%.

 

Além disso, 80% das pessoas afirmaram que confiam nas empresas que investem na proteção de dados, conforme aponta outra pesquisa realizada pela Palqee, especializada em governança de dados.

 

Em termos mundiais, mais de 60% dos entrevistados observaram retorno comercial significativo dos investimentos em privacidade. O retorno sobre o investimento é de 1,8 vez, em média.

 

Entre os entrevistados brasileiros, o orçamento médio para privacidade de dados é de US$ 2,2 milhões (cerca de R$ 11,9 milhões) por ano. A média global é de US$ 2,7 milhões por ano.

 

Para Marcia Muniz, diretora jurídica da Cisco América Latina e do Canadá, os dados do Brasil são positivos, levando em consideração que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é recente, entrou em vigor em setembro de 2020.

 

Os dados colhidos pela Cisco mostram ainda que 90% dos participantes não fariam negócios com organizações que não protegem adequadamente seus dados. No Brasil, esse índice é de 91%. Além disso, 91% dos entrevistados disseram que certificações externas, como selos, são levadas em consideração nas compras – taxa que no Brasil sobe para 97%.

 

“Por isso é tão importante um programa de proteção de dados”, diz Muniz. “Boas práticas de privacidade agregam valor ao negócio, trazendo oportunidades, não só ao mitigar o risco de vazamentos e prejuízo para a credibilidade, mas aumentando a confiança dos clientes e potenciais investidores”, acrescenta.

 

Confiança

O levantamento revela algumas lacunas nas empresas, como a necessidade de treinamentos internos mais frequentes. Segundo o especialista em proteção de dados e sócio do Peck Advogados, Marcelo Crespo, que atuou como consultor da iniciativa da Palqee, a pesquisa serve como ferramenta para as empresas aprimorarem a confiança junto aos clientes e se tornarem mais competitivas.

 

Arthur Capella, diretor da Tenable no Brasil, especializada em vulnerabilidade de segurança, concorda que o investimento em proteção da privacidade é fundamental para se evitar prejuízos diretos e indiretos de vazamentos de dados aos negócios. “A aplicação da LGPD vem evoluindo no país, mas precisa ser acelerada”, alerta o executivo.

 

É preciso investir mais, segundo Fábio Lucato, sócio especialista em compliance da Chediak Advogados, embora a cultura das organizações em relação à questão da privacidade esteja mudando. “Empresas estão sendo exigidas em processos de licitação para que apresentem adequação à LGPD”, diz. “Quem caminha nesse sentido vai ter mais benefícios, ganhar empréstimos públicos. Então o investimento tem que ser condizente com os potenciais benefícios.”

 

Para Lucato, as empresas precisam dar mais importância à tecnologia da informação, “trazer novas ferramentas, pessoas capacitadas e educar os funcionários”. O advogado destaca que a proteção à privacidade foi ressaltada em relatório do Fórum Econômico Mundial sobre fatores de risco para as organizações em 2022.

 

Fonte: Valor Econômico/Contábeis

 

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