Liderança no Digital: O que o mercado atual espera de um bom líder?

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As alterações nas relações de trabalho permanecem, mas será que foi somente por conta da pandemia que o mercado se movimentou para uma nova estrutura? Acompanhe nossa entrevista com Juliana Ferrari, psicóloga, professora e especialista em Gestão de Pessoas.

 

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Com o foco na pandemia, as relações de trabalho foram levadas a se adaptar ao momento presente. Muitas organizações alteraram sua rotina e a maneira pela qual alinhavam suas atividades, para prosseguirem produzindo e manter-se no mercado.

 

O interessante é que, na verdade, a inovação e a tecnologia já eram discussões constantes, tanto que algumas empresas já estavam funcionando com maior flexibilidade, seja de tempo, cronograma ou inclusão de processos sistematizados com alta tecnologia e entrega.

 

Isso nos mostra o quão importante é a adequação nas organizações, seguindo sempre a cultura destas, contando com a utilização de sistemas, a implementação dos dados em nuvem e as plataformas mais intuitivas e simplificadas, com times engajados. Este será o novo modelo para as atividades profissionais?

 

Muitos questionamentos surgem, desde a qualidade e o desempenho das equipes à confiança e entrega de resultados. Como garantir metas e coordenação de equipes sem estar o tempo todo olhando de perto? É possível haver lideranças no digital, capazes de comprovar que o modelo de trabalho, que muitos foram “forçados a seguir”, é suficiente para garantir resultados?

 

Lidar com mudanças nunca foi tarefa fácil para nós, seres humanos, mas elas são constantes e acontecem de forma “mais rápida que a velocidade da luz”. Pelo menos é essa a impressão que nos causa. Metaforicamente ou não, as alterações no meio social continuarão, e estas refletem sistematicamente em todos os envolvidos.

 

Neste post, trouxemos Juliana Ferrari, justamente para dividir conosco sua experiência e falar sobre esse novo “jeito” de liderar equipes. 

 

Acompanhe:

Netspeed: Ser líder está ligado apenas a cargos ou podemos considerar atributos comportamentais?

Juliana Ferrari: Não. Ser líder não é ocupar somente um cargo. Liderança é a capacidade que temos de influenciar, positivamente, por meio da nossa comunicação e do nosso comportamento, as pessoas que nos cercam. Então, não necessariamente é um nível hierárquico ou uma posição na empresa. Ou seja, qualquer pessoa, independentemente de sua posição, pode ser um líder.

Netspeed: Liderança: É possível ser um bom líder no ambiente digital?

Sim, é possível exercer a liderança no meio digital. Essa transformação não aconteceu somente agora, com a pandemia. Inúmeras empresas já adotavam o trabalho home office, esse mundo digital, há muitos anos. A prática da liderança é versada de uma maneira extremamente importante. Já vi relatos, por exemplo, de muitas equipes que se sentem mais próximas do seu líder, com a pandemia, com esse trabalho home office, algo que os colaboradores nunca imaginavam que podia ser possível, pois percebem essa proximidade. Então, podemos sim estar mais próximos, mesmo que virtualmente, à distância ou digitalmente.

Netspeed: Como o ambiente de tecnologia e inovação pode agir de maneira positiva e agregadora no atual cenário digital?

A tecnologia e a inovação são competências e práticas essenciais para o momento que estamos vivendo. As empresas que não se adaptaram a este novo contexto tendem a ficar para trás. Vivemos um momento em que inovar, fazer algo diferente para a solução de problemas, somado à utilização de tecnologias, favorecendo e facilitando os resultados dos clientes, de maneira que os processos burocráticos possam ser otimizados, além de trazer mais soluções aos problemas, é algo essencial. São competências, por exemplo, do perfil tecnológico, que é a pessoa que busca essa inovação, que se adapta. São excelentes diferenciais competitivos no mercado de trabalho.

Netspeed: O que define um bom líder?

Na minha visão, o bom líder é aquela pessoa que influencia através de suas próprias ações e comportamento, e não só da fala. Ele vivencia e influencia, impacta positivamente as pessoas que o cercam. Essa é a visão de um bom líder. Aquele líder, que eu chamo de líder autêntico, ele pensa, fala e faz. Ele não tem só no discurso o que é melhor, mas ele vivencia, busca constantemente ser uma pessoa melhor. Este é o líder contemporâneo, que é uma visão de liderança mais aceita no momento que estamos vivendo.

Netspeed: Quais são as qualidades deste novo líder da era digital?

Na era digital, uma das qualidades essenciais do líder é estar preocupado de maneira integral com a vida do colaborador. Aquela questão, que antigamente nós utilizávamos: -“O que o colaborador faz dentro da empresa é problema nosso, o que ele faz fora é problema dele”, não cabe mais, em sua totalidade, nos dias de hoje. Estamos em um momento importante, que é o digital, que vai permanecer. Portanto, entender o colaborador de maneira integral, cuidar e estar próximo dele integralmente, sem deixar de lado o foco nas pessoas e nos resultados, é um atributo essencial para a liderança, além de comunicar-se constantemente, filtrando informações e repassando-as de maneira assertiva e constante para todos de sua equipe.

Netspeed: As alterações nos ambientes de trabalho refletem na liderança?

Sim. Interferem totalmente na liderança.  A postura do líder interfere muito no clima organizacional, na percepção que as pessoas têm do seu trabalho. Tanto é que há uma pesquisa que mostra que 68% das pessoas deixam a empresa não pela organização, mas, sim, pelo seu chefe. É importantíssimo o líder cultivar a cultura da empresa, mantendo os valores essenciais compartilhados, aceitos e vivenciados, além do comprometimento. Essas atitudes são primordiais para se manter uma vida profissional próspera.

Netspeed: Como manter a qualidade no ambiente de trabalho em um momento de grandes transformações, como o que estamos vivendo?

Para manter a qualidade, é preciso separar momentos para estar com as pessoas, individualmente e coletivamente, entendendo os conceitos e o cenário atual, além de antecipar-se, junto à sua equipe, buscando formas de lidar com tantas mudanças que estão ocorrendo em tão pouco tempo. É importante dar feedbacks constantes, que não sejam um retorno frágil; pois, assim como vemos aqui, no Brasil, só se fala em algo negativo quando algo de ruim aconteceu ou de positivo para agradar. O bom líder tem que ser bom e não bonzinho, ele precisa falar para desenvolver as pessoas. Para isso, precisa saber delegar, sem delegar pouco e nem de uma maneira errada, mas, sim, delegar e não delargar. É necessário acompanhar, supervisionar, mostrar o caminho, ter um plano de ação e levar os colaboradores a entenderem o que é esperado e como será medido este comportamento, que é esperado do time. 

Netspeed: Como ter uma postura motivadora e preparar sua equipe para evoluir com a tecnologia?

Essa postura motivadora e, consequentemente, de preparação da equipe para essa nova mudança, não ocorreu somente por conta da pandemia, mas é uma alteração que já vem acontecendo há muitos anos, relacionada a essa visão mais digital e tecnológica. A diferença é que algumas empresas se adequaram mais rapidamente, mas não é algo novo. O líder precisa trabalhar muito o seu autoconhecimento e o seu autocontrole emocional para lidar com a pressão de cima e de baixo e fazer o seu melhor. É importante, também, desenvolver a sua comunicação, para que seja mais assertiva e direcionada para resultados.

Netspeed: Neste momento, de grande busca pelas melhores ferramentas digitais, quais qualidades humanas deverão se destacar, ou melhor, serem desenvolvidas?

Neste momento, dessa grande busca por ferramentas digitais, uma das qualidades essenciais é o poder de adaptação. Adaptar-se não significa ser flexível. Ser flexível é moldar-se ao momento presente, mais objetivamente. Quando falamos de adaptação, falamos de mudança de valores e crenças, pois é um trabalho interno. É uma competência essencial para que possamos desenvolver, trabalhar de maneira mais empática, trabalhar na questão de se colocar no lugar das pessoas, assim como o respeito e a ética. São competências essenciais para lidar com este momento, sem esquecer-se de desenvolver a inteligência emocional, o autocontrole emocional e o autoconhecimento, para não procrastinar e tornar possível a adaptação a tudo o que estamos vivendo.

Netspeed: Que dica você deixaria para os líderes da era digital?

Gostaria de deixar para os líderes a oportunidade de ser uma pessoa melhor, já que estamos enfrentando inúmeros desafios, com muitas transformações em tão pouco tempo, que resultam, em muito aprendizado, também em pouco tempo. Um grande ponto importante que quero frisar é a relevância de dar feedbacks para as equipes. Para isso, trabalhe muito a assertividade e o que se espera de cada membro do seu time, além de como vai acompanhar e trabalhar para o desenvolvimento da pessoa. Portanto, o líder precisa estar em constante desenvolvimento, buscando bem-estar e saúde mental e trabalhando não só no gerenciamento, mas, também, em uma liderança que transforme e inspire, por meio do seu comportamento e de suas atitudes, a equipe por ele liderada.

 

Depois desta entrevista, esperamos que você esteja motivado a entrar nessa imersão de inovação. Ter um espírito empreendedor faz de você um líder, justamente preparado para fazer a engrenagem funcionar e alterar muitas realidades, com visão ampla e colaborativa.

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Juliana Ferrari – Psicóloga pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Recursos Humanos e Especialista em Psicologia Positiva, Autorrealização e Ciência do Bem-estar e pela PUCRS (2019-2020). Especialista em Gestão de Pessoas, com diversas participações na TV TEM (filiada à Rede Globo), SBT e Diário da Região (jornal). É professora titular do Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP) desde 2005 e Professora convidada do MACKENZIE (2013), ministrando disciplinas em cursos de Graduação e Pós-graduação na área de Gestão de Pessoas, Comportamento Organizacional, Inteligência Emocional, Desenvolvimento de Carreira e Empregabilidade, Psicologia do Desenvolvimento, entre outras. Coordenou por 5 anos o Curso de Psicologia da UNIRP (2014-2020) com reconhecimento do Curso pelo MEC (nota 4,53).  Foi responsável pelo Projeto de Planejamento e Desenvolvimento de Carreira oferecido aos alunos do último semestre da Pós-Graduação do SENAC de São José do Rio Preto com cerca de 880 atendimentos entre 2014-2020. Atua como Psicóloga Corporativa, realizando Palestras, Treinamentos e Atendimento de Desenvolvimento de Carreira há mais de 16 anos. Trabalhos voluntários: Colunista Semanal do quadro Mundo Corporativo da Rádio CBN Grandes Lagos desde 2018. Pertence ao Colegiado do Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo São José do Rio Preto, desde 2018. Diretora do Núcleo de Gestão de Pessoas da ACIRP (Associação Comercial de São José do Rio Preto) na gestão 2020-2022. Membro do Conselho Consultivo do Instituto As Valquírias rede Gerando Falcões (desde 2017) e realização de curso de qualificação “Como se preparar para a entrevista de seleção”. Mentora do Projeto: Mentoria para Mulheres da Periferia – Florescimento da Mulher: Ressignificação e sentido.

 

 

Por: Vanessa Mandarano

 

Revisão: Leandro Pessoa

 

 

 

 

 

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